Usei o Tissot PRX… E também o “PRX” da Casio (MTP-E735L)
É comum encontrar relógios que lembram modelos famosos, principalmente quando um determinado design ganha popularidade. Nos últimos anos, uma referência bastante forte tem sido o Tissot PRX. Seu visual de linhas retas, caixa integrada à pulseira e inspiração nos esportivos da década de 1970 acabou servindo de inspiração para diversas marcas.
Entre elas está a Casio, que lançou o MTP-E735L, um relógio de quartzo com aparência que remete ao PRX, mas vendido por uma fração do preço. Apesar da semelhança visual, os dois pertencem a categorias completamente diferentes e não devem ser encarados como concorrentes diretos.

O sucesso do Tissot PRX
Embora o design do PRX tenha referências em relógios esportivos integrados lançados décadas atrás, foi a reedição promovida pela Tissot, em 2021, que colocou esse estilo novamente em evidência.
O modelo rapidamente se tornou um dos maiores, ou o maior sucesso recente da fabricante suíça, atraindo tanto entusiastas quanto consumidores que buscavam um relógio esportivo de aparência refinada. Inicialmente, foi lançado em 40 mm, depois recebeu uma versão de 35 mm e, posteriormente, uma intermediária de 38 mm, considerada por muitos um equilíbrio interessante entre as duas opções anteriores.

No mercado internacional, as variantes mais convencionais desse relógio costumam ser vistas como excelentes para uso diário. Já no Brasil, o preço elevado faz com que o PRX seja tratado muito mais como um objeto de desejo.
A edição Damascus Steel do PRX
A versão analisada utiliza um material pouco comum na relojoaria: o aço damasco. Nesse modelo, ele não é produzido pelo método tradicional encontrado em facas artesanais, mas por um processo industrial que comprime pó metálico sob altas temperaturas e pressão. Depois de um tratamento químico, surgem as ondulações características que fazem com que cada caixa tenha um desenho exclusivo.

O resultado chama bastante atenção e torna essa uma das versões mais exclusivas da linha PRX.
Principais características
* Caixa de 38 mm
* Espessura de 10,98 mm
* Cerca de 43,2 mm de lug-to-lug (aproximadamente 49,2 mm considerando a extensão das asas)
* Caixa em aço damasco
* Vidro de safira com tratamento antirreflexo
* Fundo transparente em vidro de safira
* Resistência à água de 100 metros
* Movimento automático Powermatic 80
* Reserva de marcha de até 80 horas

O Powermatic 80 é um dos movimentos automáticos mais conhecidos da categoria. Sua principal vantagem está justamente na autonomia, que atinge até 80 horas. Vale dizer que, na prática, acredito que nunca conseguir chegar nessa marca, mas ele passou de 2 dias com facilidade. Sem dúvidas, bastante superior a calibres tradicionais de aproximadamente 36-40 horas.
Impressões de uso
Apesar dos 38 mm sugerirem um relógio relativamente compacto, o PRX ocupa bem o pulso. O desenho da caixa, bastante espalhado na horizontal, faz com que ele pareça maior do que as especificações sugerem.

A pulseira de couro acompanha a proposta sofisticada do modelo e ainda possui uma textura inspirada no próprio aço damasco. É confortável no uso, graças ao revestimento interno macio, mas seu visual classudo acaba deixando o relógio menos versátil do que as versões equipadas com bracelete metálico.
Outro ponto é a limitação na troca de pulseiras. Como todo relógio de bracelete integrado, o PRX utiliza um encaixe proprietário, e a oferta de pulseiras alternativas para a versão de 38 mm ainda é relativamente pequena. Quando houver opções, o processo de troca é relativamente simples, pois há um sistema de desengate rápido na parte de baixo da caixa.
Visualmente, é um relógio bastante chamativo sem ser exagerado. Dependendo da iluminação, pode parecer discreto ou destacar fortemente as ondulações da caixa. A legibilidade permanece boa, embora a riqueza de detalhes do mostrador e a aplicação discreta de material luminescente façam com que a leitura não seja tão imediata quanto em relógios de visual mais simples.
Casio MTP-E735L: uma alternativa inspirada no PRX
A Casio possui uma longa tradição de projetos próprios e muito respeitados dentro da relojoaria, mas também oferece modelos claramente inspirados em relógios de maior prestígio.

O MTP-E735L segue exatamente essa proposta. Não é uma cópia direta do PRX, mas compartilha diversos elementos visuais que fazem a associação ser praticamente inevitável. Seu objetivo é oferecer uma aparência semelhante por um preço muito mais acessível.
Principais características
* Caixa de aproximadamente 37,5 mm
* Espessura de 8,4 mm
* Cerca de 44,5 mm de lug-to-lug
* Caixa em aço inoxidável
* Vidro mineral
* Resistência à água de 50 metros
* Movimento de quartzo
* Autonomia aproximada de 3 anos

Como acontece na maioria dos relógios de quartzo, o ponteiro de segundos realiza os tradicionais saltos de um segundo, enquanto a precisão é significativamente superior à de um relógio automático – ele perde alguns segundos por mês, enquanto o PRX tem perdas diárias.
Impressões de uso
Apesar da caixa medir cerca de 37,5 mm, o relógio transmite uma sensação de tamanho maior no pulso. Como sua construção não utiliza o mesmo conceito de caixa integrada do PRX, sua presença acaba sendo diferente, e a parte principal da carcaça é levemente maior que a do Tissot. Quando a peça é vestida, há um certo “vão” entre a caixa e a pulseira que quebra um pouco a harmonia visual em minha opinião.

A caixa mistura superfícies escovadas e polidas, criando reflexos bastante evidentes. O mostrador também possui bastante brilho, o que é bonito, mas ocasionalmente prejudica a leitura sob determinados ângulos.
O vidro mineral representa uma das principais simplificações em relação ao Tissot, oferecendo menor resistência a riscos, e também mais reflexos. No fim, este Casio e o PRX aço damasco têm algo como um empate técnico em visibilidade, cada um tem perdas por motivos diferentes (texturas vs reflexos). A pulseira utiliza encaixe convencional de 20 mm, o que facilita muito futuras substituições, um ponto em que o Casio leva vantagem.

Durante o uso, mostrou-se confortável, embora a pulseira seja relativamente longa para pulsos menores – eu uso sempre o último furo para fixar a fivela.
Vale a diferença de preço?
Naturalmente, o Tissot apresenta melhor acabamento, que passa sensação de maior robustez, e um movimento mecânico de ótimo nível. Além de resistência, também transmite maior refinamento no punho, com aparência mais harm&onica ao meu ver. Vale dizer: isso era esperado diante da enorme diferença de preço entre os dois modelos.
O Casio entrega uma construção competente, utiliza caixa de aço inoxidável, apresenta bom acabamento e não passa a impressão de ser um produto excessivamente simplificado. Para quem gosta desse estilo visual, acaba surgindo como uma alternativa interessante dentro de uma faixa de preço muito mais acessível.
Ainda assim, pequenas diferenças de design fazem com que a experiência no pulso seja distinta. O formato da caixa e a integração com a pulseira dão ao PRX uma aparência mais elegante e harmoniosa.
No fim das contas, a escolha depende muito mais do que cada pessoa procura do que apenas da relação entre preço e especificações. Na relojoaria, os que podem pagar mais caro podem dar grande peso a fatores como acabamento, materiais, movimento, história e apelo emocional, deixando de lado o custo-benefício. Vale o chavão: a melhor coleção vai ser aquela que faz sentido (seja qual for ele) dentro da realidade de cada um.
