Não basta ser bonito – Minha experiência com o Seiko Presage Style 60’s SRPL71
Passei cerca de 1 mês com o Seiko Presage Style 60’s, código de referência SRPL71. É um automático com calibre 4R35, reserva de marcha de 41h, função hacking e enrolamento manual, vidro em cristal Hardlex, resistência à água de 5 ATM, diâmetro de 39,5 mm e 46,2 mm de distância entre os pinos.
Como o nome sugere, o visual dele remete à década de 60. O que me fisgou foi o bonito mostrador em “verde gelo”, com um estilão clássico que me lembrou um King Seiko ou alguns Presage da linha clássica. A parte técnica me parece bem padrão para um Seiko intermediário; penso apenas que poderia trazer vidro de safira. O mecanismo é confiável e me parece perder muito menos sincronia do que o indicado na ficha do fabricante (+45 a -35 segundos por dia).

Para ser objetivo, este relógio foi um grande exemplo de como a impressão inicial pode não se traduzir em uma empatia legítima e orgânica pela peça no dia a dia. Não cheguei a usá-lo uma vez sequer na rua. Não por achá-lo feio, mas simplesmente porque se tornou um daqueles relógios que sempre perdiam para algum outro no momento da escolha. Às vezes, era vencido por um Presage Cocktail Time SRPE43, com seu mostrador e visual geral mais descomplicado. Em outros momentos, eu escolhia um cronógrafo Seiko SSB479, que tem vidro curvo e estilo vintage como o Style 60’s, mas algo na composição geral me fazia senti-lo mais “encaixado”, mais “firme” para ocasiões sociais comuns. É como se o Style 60’s precisasse de um momento certo, que nunca chegava.

Quando visto pessoalmente, o vidro curvo em formato de domo não oferece a mesma transparência sugerida pelas fotos de divulgação das lojas. Há um certo nível de desfoque e distorção no Hardlex, mas creio que isso faz parte do charme — também acontece com o cronógrafo que mencionei. Uma questão importante com a qual me deparei, porém, foi não conseguir encontrar uma pulseira que me deixasse 100% satisfeito para usar com essa máquina. Braceletes são chamativos demais para o meu gosto; prefiro pulseiras, mais discretas. E não achei nenhuma de couro, tecido ou borracha que me parecesse perfeita. As verdes ficavam redundantes, enquanto as marrons criavam um contraste um tanto estranho. Ao mesmo tempo, a caixa de 39,5 mm talvez chame mais atenção do que eu gostaria em meu punho de 16,5 cm. São dimensões superiores às do Cocktail Time (38,5 mm) ou do Orient Bambino V2 (38,4 mm), com os quais já tive boa experiência.

Estou ciente de que todos os aspectos mencionados são muito pessoais, mas este é justamente o meu ponto. Não estou desenvolvendo uma crítica ao SRPL71 em si. Continuo achando-o um relógio bonito; só não é bem para mim. Na relojoaria, há algo de subjetivo e pouco palpável na apreciação dos produtos que é inerente a cada pessoa. Não é uma análise (como esta) ou uma apresentação de marketing que vai lhe entregar o mais importante sobre um modelo. E essa é uma sensibilidade que vamos desenvolvendo individualmente. Ela é fundamental para que não cometamos erros — ou erremos menos — na escolha de novos relógios, principalmente em um contexto de compras online.
