Usei o Orient Submariner 39mm e o Orient “PRX” – Relato de um iniciante
No ano passado, quando publiquei um conteúdo sobre relógios Casio G-Shock, apareceu um comentário que ficou na minha cabeça: “daqui a pouco você tá nos automáticos”. Na época, respondi que não era minha praia. Corte para 2026, e nas últimas semanas eu estava justamente consumindo conteúdo sobre relógios mecânicos — e, mais importante, testando dois modelos na prática. A previsão se cumpriu.
O ponto aqui não é fazer uma análise técnica aprofundada. Não é o meu lugar. A ideia é compartilhar uma experiência real de uso, com impressões de quem está entrando agora nesse universo. E já adianto: não é conteúdo patrocinado, não tem cupom, não tem roteiro combinado. É relato direto.
Antes de falar dos modelos, vale um contexto rápido. Relógios automáticos são peças que não usam bateria. Funcionam com um conjunto de mola e engrenagens internas que se movimentam conforme o pulso do usuário. Se você deixa o relógio parado por alguns dias, ele para. Para voltar a funcionar, é só mexer novamente ou dar corda manualmente. É uma proposta bem diferente dos relógios a quartzo, que são mais precisos e práticos.

Sobre a Orient, marca dos dois modelos testados, é uma empresa japonesa com tradição e produção no Brasil. Ela costuma ser vista como porta de entrada para relógios automáticos com bom nível de construção e recursos valorizados nesse meio. Não tem o mesmo prestígio de marcas como Seiko, Citizen ou Tissot, mas também não tenta competir diretamente com elas em posicionamento. A lógica aqui é entregar algo equivalente em proposta, com preço mais acessível dentro desse nicho — que, ainda assim, não é exatamente barato para quem vem de fora.
Os dois modelos que usei foram lançamentos recentes no Brasil e vêm ganhando bastante visibilidade. O primeiro é o Orient YN6SS023, conhecido como “Submariner” — especialmente nessa nova versão de 39 mm, seguindo a tendência de relógios menores. É aquele tipo de peça que claramente remete ao design de modelos mais caros, algo comum no mercado e geralmente aceito quando vem de marcas estabelecidas. Notem, na foto abaixo, que eu retirei o bracelete estilo “jubilee” original e coloquei uma pulseira do tipo NATO, que se alinha mais com meu estilo. Meu punho tem 16.5 cm.

Na prática, é um relógio bem ajustado. Caixa e pulseira em aço inox, vidro de safira, coroa rosqueada, mecanismo próprio com reserva de marcha de cerca de 40 horas, corda manual e hacking (parada do ponteiro de segundos para ajuste preciso). No papel, entrega bastante coisa.
No uso, algumas impressões ficaram claras. O mostrador azul claro com acabamento perolado chama atenção — varia levemente de tonalidade conforme a luz e o movimento. Não é um relógio discreto, mas é bonito. Por outro lado, o lume (brilho no escuro) achei fraco. Comparando com um Seiko 5 que estava comigo, a diferença é bem perceptível.

Considerando o preço na casa dos R$ 1.800, faz sentido dentro da proposta. Curiosamente, a versão maior de 42 mm custa bem menos, mas também abre mão de alguns itens como safira e coroa rosqueada.
O segundo modelo é o Orient Elegance 3 Estrelas YN6SC020, que muita gente já apelidou de “Orient PRX”, pela semelhança com o famoso Tissot PRX. Aqui a proposta muda um pouco: entra um visual mais elegante, com pulseira integrada à caixa, o que limita trocas, mas reforça o design.

Ele tem 38 mm, mesmo mecanismo YN6 com 40 horas de reserva, safira, coroa rosqueada, corda manual e resistência de 100 metros. Em termos de especificação, é bem alinhado com o outro.
No uso, a primeira coisa que chama atenção é o brilho. Ao vivo, ele é mais chamativo do que parece nas fotos. Não é exatamente discreto, mas é uma peça bonita e bem resolvida. O modelo testado era preto, mas existem outras cores e novas variações devem aparecer.

Alguns detalhes me incomodaram levemente. O logo da Orient poderia ser mais discreto — aqui entra mais gosto pessoal. A coroa, por ter proteções laterais, é um pouco mais chata de manipular para ajuste ou corda.

Mas o principal ponto foi a precisão ao longo do tempo. Apesar da reserva de marcha teórica de 40 horas, percebi perda de sincronia antes disso. Pesquisando, vi que é comum algum nível de imprecisão antes de o relógio parar totalmente, mas aqui achei a margem um pouco apertada. Na prática, se você não usa por um dia ou dois, vale dar uma movimentada para manter tudo em ordem.
E isso leva a uma conclusão importante. Relógios automáticos, especialmente nessa faixa de preço, não têm a mesma precisão dos modelos a quartzo. Segundo a fabricante, podem adiantar até 25 segundos ou atrasar 15 por dia. Para quem vem de relógios a bateria, isso causa estranhamento no começo.
Por outro lado, existe um apelo diferente aqui. É menos sobre praticidade e mais sobre a experiência. Sobre usar uma máquina mecânica no pulso, entender como ela funciona, interagir com ela — dar corda, ajustar, acompanhar o funcionamento.
No fim das contas, é quase uma questão de perfil. Quartzo é precisão e conveniência. Automático é interesse, engenharia e, em certa medida, paixão. Foi uma experiência interessante. Com certeza passei a entender melhor esse universo e por que tanta gente gosta dele.
